
A história de uma "Esperança"
Naftali Herz Imber, que nasceu em Zloczow, Polônia em 1856 e faleceu em Nova Iorque em 1909, teve todas as características de boêmio e sonhador. Tendo recebido uma educação religiosa em sua infância e juventude, a Bíblia e o Talmud, como sua língua e mensagens lhe eram totalmente familiares.
O crescente movimento judeu de retorno ao solo ancestral, Tzion, teve eco imediato em seu ser. A notícia da fundação da colônia hebraica "Petach Tikva", em 1878, inspirou-lhe a redação de um poema em hebraico, que chamou "Tikavatenu", ou seja, "nossa esperança".
Naqueles anos os versículos bíblicos serviam para elegerem-se os nomes das novas cidades e colônia que se construíam sobre terras arenosas ou em meio a pântanos.
Petach Tikva significa "a porta da esperança", expressão do profeta Oséas, capítulo 2, na qual se refere ao tempo em que D-us retornará a seu povo e então o vale sombrio será substituído pela "porta da esperança". Imber, por sua parte, inspirando-se no conceito de esperança, recordou o versículo do livro do profeta Ezequiel (37:11), que nos relata que o povo de Israel, desterrado na Babilônia pela hordas de Nabucodonosor, expressa "nossa esperança foi perdida". O poeta trocou a frase por "ainda não passou nossa esperança".
Em 1882 lê sua poesia aos agricultores de Rishon le Tzion - colônia também fundada a fins do século passado - que se entusiasmam com a mesma, e um deles, Samuel Cohen, lhe adapta uma melodia moldava.
Desde então começa a popularizar-se e a recitar-se na finalização dos distintos Congressos Sionistas. No 18º Congresso, realizado em Praga em 1933, foi adotada formalmente como o hino do movimento sionista.
Este canto guarda dentro de si uma terrível intuição. O capítulo de Ezequiel que inspirou ao poeta, nos narra que o profeta teve a visão de um vale cheio de ossos secos, que representa a todo o povo de Israel que exclama: perdemos nossa esperança de continuar vivendo.
Frente ao qual Deus ordena ao profeta que diga a seu povo que Ele abrirá as tumbas que guardam aqueles ossos, os cobrirá de tendões, veias, artérias e carne, estenderá sobre ele pele, lhes insuflará espírito de vida e os trará à Terra de Israel. Não há quadro mais patético que este para descrever ao povo judeu depois da Shoá. Então, mais que em qualquer outro tempo, a terrível pergunta foi: Por acaso perdemos nossa esperança?
Naqueles anos de luta para a concretização do sonho milenar, este canto se transformou no hino oficial do Estado em formação. Foi entoado por todos os participantes ao iniciar-se o ato de Declaração da Independência, em 14 de Maio de 1948, e executado pela orquestra filarmônica nacional ao finalizar o ato.
Apesar disso, a Knesset, o parlamento de Israel, ainda não havia decretado oficialmente como o hino do Estado; talvez porque a intuição indica que o hino final deve inspirar-se no segundo capítulo do livro de Isaías: "...de Tzion sairá a Lei e a palavra de Deus de Jerusalém, ...não levantará espada nação contra nação nem se exercitarão mais para a guerra."
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